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LESOTO
O país em resumo
Nome oficial: Reino de Lesoto (Kingdom of Lesotho / Muso oa Lesotho).
Capital: Maseru.
Localização: sul da África, dentro do território da África do Sul.
Nacionalidade: lesota, lesotense ou lesotiana.
Área: 30.460 km2.
População: 2,1 milhões (2001).
Densidade: 69,18 hab./km2.
Línguas oficiais: inglês e sesoto.
Composição étnica: os basotos constituem o maior grupo étnico do país.
Religião: maioria cristã.
Governo
Sistema de governo
: monarquia parlamentarista.
Chefe de Estado: rei Letsie III (desde 1996).
Primeiro-ministro: Bethuel
Pakalitha Mosisili (desde 1998,
reeleito em 2002).
Legislativo: bicameral.
Assembléia Nacional, com
120 membros, e Senado,
com 33 membros.
Principais partidos: Congresso para a Democracia de Lesoto (LCD), Congresso Popular de
Basoto (BCP) e Partido
Nacional Basoto (BNP).
Economia
PIB
: 789 milhões de dólares (2001).
Agropecuária: milho,
painço, ervilhas, feijão,
trigo, aveia, gado.
Exportação: couros e
peles, gado bovino,
lã e pêlo de cabra angorá, ervilhas, feijão e trigo.
Moeda: loti.
Mapa

País montanhoso e acidentado, encravado no território da África do Sul e originário da aglomeração de fugitivos de disputas tribais. É um país pobre, cuja principal atividade econômica é a criação de gado. Em Lesoto, não há muitos empregos, e vários lesotos trabalham nas minas e indústrias da África do Sul.

Antiga colônia britânica de Basutolândia, o país tornou-se independente em 1966. Maseru é a capital e maior cidade. Lesoto é um pouco maior que o estado de Alagoas. O rio Orange, o mais extenso do sul da África, nasce no nordeste do país.

Aldeia de Lesoto, antiga colônia britânica da África, que se tornou independente em 1966.

HISTÓRIA

Guerras entre tribos devastaram o sul da África em fins do séc. XVIII e início do séc. XIX. Muitas delas foram totalmente dizimadas e suas vilas, destruídas. Algumas das vítimas dessas lutas fugiram para uma região conhecida como as terras altas de Lesoto. Ali receberam proteção de um chefe tribal chamado Moshesh. Ele construiu uma fortaleza num morro chamado Thaba Bosiu (Montanha da Noite), distante cerca de 24 km da atual Maseru. Por volta de 1824, Moshesh tinha aproximadamente 21 mil seguidores, que unificou em torno da nação basoto.

Mais tarde, os ingleses e os bôeres tentaram derrotar os basotos, mas fracassaram. De 1856 a 1868, os basotos guerrearam com os colonos bôeres. Em 1868, Moshesh pediu ajuda aos ingleses, e tanto ele como seu povo tornaram-se súditos britânicos. Moshesh morreu em 1870, e, um ano depois, o território foi colocado sob controle da colônia britânica do Cabo, hoje pertencente à África do Sul. O governo do Cabo tentou apaziguar os basotos, mas eles expulsaram seus soldados. Em 1884, Basutolândia, como era chamada inicialmente, foi restabelecida como colônia britânica.

Em 1910, criou-se o Conselho de Basutolândia, formado por chefes e membros eleitos. O Conselho Nacional Legislativo se manteve até que o país se tornasse independente. Os conselhos distritais, criados em 1943, administravam os governos locais.

A Constituição, elaborada em 1960 e emendada em 1964, representou um grande passo em direção ao autogoverno. Em obediência à Carta Magna, a primeira eleição geral foi realizada em 1965. O Partido Nacional de Basutolândia conquistou 31 das 60 cadeiras da Assembléia Nacional, e o chefe Leabua Jonathan tornou-se primeiro-ministro.

Em 1966, o país tornou-se independente e adotou o nome de Reino de Lesoto. Em outubro daquele mesmo ano, Lesoto filiou-se à Comunidade das Nações e à Organização das Nações Unidas (ONU). O chefe supremo Matlotlehi Moshoeshoe II, bisneto de Moshesh, tornou-se rei.

Durante uma eleição geral em 1970, os primeiros resultados das urnas comprovaram que o partido de Jonathan não manteria a maioria na Assembléia Nacional. O primeiro-ministro, então, aboliu a Constituição e continuou a governar. Em 1973, formou-se uma Assembléia Nacional provisória para servir de legislativo e elaborar uma nova Carta Magna. Esta nova constituição restabeleceu o parlamentarismo, embora o rei e o primeiro-ministro permanecessem com amplos poderes.

Morador de Maseru, capital e maior cidade de Lesoto, perto da fronteira com a África do Sul.

Em 1977, a África do Sul, descontente com a política externa anti-racista de Jonathan, iniciou uma campanha de desestabilização do seu governo. A primeira medida a ser adotada foi o fechamento das fronteiras; depois, passou-se a exigir dos imigrantes do Lesoto um certificado de filiação ao partido BDA (partido pró-apartheid), de oposição ao governo. As hesitações do rei Moshoeshoe II, propenso a aceitar as imposições sul-africanas, fizeram com que, em 1979, Jonathan o expulsasse do país por cerca de seis meses, a pretexto de um tratamento de saúde em Londres. Na volta, o monarca constatou a redução de seu poder.

Em 1982, foi registrada nova investida sul-africana, com uma série de ataques a supostas bases do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido sul-africano anti-apartheid. Cerca de 40 pessoas foram mortas nesse período.

O rei Moshoeshoe II, percebendo as tendências autoritárias de Jonathan, aliou-se aos militares. Em 1986, o general Lekhania depôs o primeiro-ministro e tornou-se chefe do governo. Em 1990, Lekhania depôs o rei Moshoeshoe II, e o filho deste, o príncipe Letsie, assumiu seu lugar. Em 1991, Lekhania foi deposto.

Pressionado pela opinião pública e pelos chefes tribais, Letsie devolveu o poder e o trono ao seu pai em 1995, mas este morreu num suspeito acidente de automóvel em 1996. O príncipe reassumiu o trono, agora como rei Letsie III, convocando em seguida eleições para 1998, quando foram escolhidos um novo Parlamento e um novo primeiro-ministro, Bethuel Pakalitha Mosisili, do Congresso para a Democracia de Lesoto (LCD).

A crise sul-africana desse período provocou grande impacto na economia lesota, já que uma parcela considerável da população que trabalhava na África do Sul perdeu o emprego e deixou de remeter parte dos seus salários para o Lesoto.

Nas eleições legislativas de 2002, o LCD conquistou novamente a maioria das vagas na Assembléia Nacional, e Mosisili foi escolhido para um novo mandato como primeiro-ministro.


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